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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O PAPEL

O PAPEL

Revirando meus guardados a procura deu um documento, deparei-me com um texto há tempos guardado, notei que havia sido eu o autor, ao julgar pela caligrafia péssima, que mal dava para ler. Era antigo, não me lembro de ter escrito, pegando-o em mãos fiquei ainda mais curioso, já que aparentemente há tanto tempo guardado e nunca havia de ter revisto este, adiei a busca do tal documento para poder matar a minha curiosidade.
O texto, escrito em metáforas, realmente difícil de entender, sentei-me no sofá da sala onde li e re-li varias e varias vezes, parecia que não era eu o escritor, mas, como não haveria de ser eu o escritor deste? Já que estava com minha caligrafia. Pensei até que eu poderia ter transcrito de outro lugar, mas, não sou deste costume, e, por mais que eu achasse estranho aquele texto, mesmo não crendo eu ser o autor, parecia-me muito familiar.
Não havia nada alem do texto, nem ao menos nas memórias em mim guardadas, como se eu tivesse apagado, e não sabia mais eu o porquê disso.
Este texto já estava fazendo-me perder o domingo, então resolvi deixar de lado aquilo, deixei o texto por sobre a mesa da sala e fui comer alguma coisa. Sentei na cozinha e fui saciando minha fome vagarosamente, enquanto pensava no maldito texto.
Todas aquelas palavras escritas como que se quisesse revelar algo contido, e ao mesmo tempo esconder, o fato de não lembrar nada me fazia pensar cada vez mais nesta hipótese.
Aquele cenário quieto, de uma pessoa sozinha em casa, deixava cada vez mais nervoso, por que eu havia esquecido? Me - perguntava isso a toda hora, será que jogue no papel para poder me livrar da minha mente? Resolvi por fim rasgar o maldito papel, peguei-o em mão, naquilo tremia, não consegui o controle suficiente para rasgá-lo, como se ele fizesse parte de mim, era eu o papel, uma parte de mim a muito tempo esquecida, o Maximo que consegui foi amassá-lo e jogá-lo dentro do guarda-roupas.
Quando isso consegui fazer, foi como um alivio, tinha tirado um peso enorme das costas, minha cabeça não estava girando mais, deitei-me no sofá e acabei por fim cochilando.
Mais tarde minha esposa chegou, entrou em casa, me viu dormindo mais não quis me acordar. Ela entrou no nosso quarto, tinha trazido uma blusa minha, que havia esquecido na casa de sua mãe.
Ela abriu então o guarda roupa, enquanto enganchava a blusa no cabide, viu amassado o papel no canto escondido, pegou o papel em mãos, e quando começou a desamassar o papel para ler eu acordei assustado, sai a toda do sofá correndo meio que caindo. Chegando lá no quarto, vejo-a com o papel na mão aberto, por sobre ela, em seu pescoço voava-se minhas mãos, já não era eu que ali estava, acabamos por no chão cair, e nisso a cabeça ela bateu, o sangue escorreu, e ali tornei-me um assassino. Sem reação na hora fiquei, somente podia gritar seu nome por seguida de desculpas... o papel de longe eu via, e lá todo em branco ele estava...


02/01/2012

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